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CONSERVADORES AVESTRUZES

Ótimo texto de Mike Stucin, publicado em seu blog, Blog do Mike.

Vale a pena ler não só esse mas como os outros textos dele. Coloca-se muito bem sobre questões polêmicas.

“É engraçado ver como a sociedade se coloca diante das grandes questões polêmicas e dos problemas por ela enfrentados. Mais engraçado ainda é ver como setores da sociedade acreditam que tudo possa se resolver com um simples passe de mágica legislativa, proibindo tudo o que puderem, sem maiores discussões. Claramente, refiro-me às pessoas conservadoras.

Para uma pessoa progressista, é difícil entender como a cabeça de um conservador funciona. A melhor explicação que eu tenho é que pessoas conservadoras agem como avestruzes, já que, quando se deparam com problemas ou questões polêmicas, em vez de debatê-los para depois tentar resolvê-los, eles decidem enfiar as suas cabeças confusas no cômodo e protegido solo da proibição, do egoísmo e da indiferença.

Pessoas conservadoras, na verdade, nunca estiveram preocupadas em resolver problemas, elas apenas querem ficar longe desses problemas, afinal, o que os olhos não veem, o coração não sente.

Imagino que se você chegou a ler este parágrafo, ou você é um progressista, ou você é um conservador cuja curiosidade é maior do que o ódio ou pena que você deve estar sentindo de mim neste momento. Aliás, obrigado por ler esse texto! Agora, vamos à demonstração dos fatos.

Nada como comprovar a minha tese de que conservadores agem como avestruzes entrando no polêmico tema do aborto. Ah, o aborto! Vejam, eu não quero entrar no aspecto religioso da questão, pois reconheço que, se o aborto for tomado apenas em seu conceito teórico, realmente é algo discutível.  Eu quero falar da eficácia e utilidade da proibição do aborto no Brasil.

Recente pesquisa divulgada na revista The Lancet http://migre.me/7FiUz demonstra que a incidência de abortos é maior nos países que os proibiram, e não, por incrível que possa parecer, naqueles que os legalizaram.

Além do número maior de abortos, as mães que os praticam estão mais vulneráveis a complicações decorrentes desses procedimentos, já que feitos sob o manto da clandestinidade. Ou seja, proibir o aborto não garante um menor número dessas ocorrências, além de pôr em risco as vidas das mulheres que o fazem de forma clandestina.

Como isso pode ser possível?! O x da questão está na clandestinidade! Os países que legalizaram o aborto puderam enfrentar esse problema como um caso de saúde pública, dando assistência às mulheres, orientando-as e, enfim, efetuando o procedimento num hospital, e não nas tão famosas “bocas-de-porco”, encontradas aqui no Brasil, por exemplo.

É algo muito raso também afirmar que haveria um boom de abortos, caso fossem legalizados, afinal, uma mulher grávida não acorda um belo dia e diz: “Acho que hoje tô a fim de um aborto”. É a mesma coisa de pensar que haveria mais gays no mundo se eles pudessem contrair matrimônio civil. Imaginem: “Ah, agora que eu posso casar, vou virar gay”. Não faz sentido, né?!

Enfim, voltando ao aborto. Pesquisas mostram que a proibição do aborto não implica na redução de sua ocorrência, além de todos os perigos decorrentes às mães por conta da clandestinidade das cirurgias.

Sendo assim, você continuaria contrário ao aborto, mesmo que a sua legalização implicasse na sua redução, como demonstram as pesquisas?! Essa proibição faz algum sentido?! Nesse caso, a proibição não resolve nem diminui o problema. Contudo, uma pessoa conservadora, agindo como um avestruz, prefere enterrar a sua cabeça no cômodo e protegido solo da proibição a enxergar os fatos.

Esse foi o primeiro exemplo para demonstrar a minha teoria de que conservadores agem como avestruzes. Vamos à outra grande polêmica: os casamentos homossexuais.

A proibição de contrair casamento, por parte de pessoas do mesmo sexo, talvez seja a maior prova de que o princípio da igualdade de todos perante a lei é uma piada, e que o Brasil não é uma democracia, mas uma ditadura de uma maioria branca, religiosa e heterossexual.

Os conservadores temem um boom de gays, caso tais casamentos fossem regulamentados, como se a definição da orientação sexual de uma pessoa dependesse de um artigo de lei que proíba ou não as tais uniões civis. Engraçado, não é?!

Enfim, proibir as pessoas do mesmo sexo de contrair matrimônio não implicará em redução ou aumento do número de homossexuais, como se esse fosse um problema. Se o tal livro sagrado estiver certo, eles certamente queimarão no inferno, assim como os ateus, mas até esse dia não chegar, eles deveriam ter os mesmos direitos da maioria.

Contudo, os conservadores, mais uma vez, preferem enterrar as suas cabeças no cômodo e, neste caso, sagrado solo da proibição divina, ao invés de pensar que casais homossexuais também enfrentam problemas relacionados à guarda de filhos, divisão do patrimônio conjunto, imposto de renda, direito à pensão por morte e herança, assim como os heterossexuais, e, portanto, tal negação de direitos os prejudica muito.

Este outro caso talvez seja o pior de todos, contudo um pouco diferente dos anteriores. Muitos conservadores pertencentes às classes A e B não suportam a pobreza e todos os problemas dela decorrentes. Quando associações de moradores de bairros da elite se dizem preocupadas com o problema da violência, elas não estão preocupadas com as causas desse fenômeno, mas apenas com o seu próprio umbigo. Enfim, contanto que eles estejam a salvo, o problema da violência não lhes diz respeito.

Neste caso, não se trata de uma proibição propriamente dita. Trata-se da mais nojenta indiferença em relação ao maior problema brasileiro e grande causa da violência: a desigualdade social.

Os ricos e a classe política por eles sustentada, na verdade, não estão preocupados em acabar com a desigualdade social ou com a violência; eles apenas a querem bem longe dos seus lindos bairros que lembram a Europa ou Beverly Hills. Eles não querem tentar resolver ou diminuir a miséria que muitas vezes os circunda, eles apenas querem um Chuck Norris que os defenda, para, dessa maneira, poderem enfiar a cabeça no cômodo e protegido solo do egoísmo e da indiferença com o próximo. Isso é muito cristão, aliás!

Há muitos outros exemplos, como na proibição do uso de entorpecentes etc., mas se continuar, o texto ficaria muito mais longo do que já está. Antes que alguém se manifeste, devo frisar que nem toda a proibição é inútil ou ruim, afinal, isso seria de uma ingenuidade colossal.

O que se critica nesse texto é o pensamento recorrente das camadas conservadoras da sociedade, que creem piamente na proibição como a melhor maneira de resolver qualquer problema, como no caso do aborto ou das drogas, ou da simples imposição da vontade de uma maioria branca, religiosa e heterossexual, no caso dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, ou da indiferença criminosa à gritante desigualdade social por parte da elite e da classe política.

Afinal, os problemas continuam aí, sem muita solução, enquanto eles estão bem protegidos, com as suas cabeças enfiadas no cômodo e protegido solo da proibição, do egoísmo e da indiferença. Esses são os conservadores!”

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Um pedido a todos

De Blog do Madeira,

Caros, em primeiro lugar quero deixar claro que, neste post, fala o Guilherme Madeira Dezem, professor, mestre e doutorando pela USP. O funcionário público não se encontra neste texto.

Na vida, chega um momento em que precisamos tomar posições.

E não sei se sabem, mas há um forte risco de a Defensoria Pública de São Paulo passar por um enorme revés legislativo. Este revés significa um retrocesso na luta pelos Direitos Humanos e pelo acesso à justiça.

Então, peço que leiam o texto abaixo que é uma nota pública da Defensoria Pública e peço que, em concordando com o pleito, passe a frente e peça para seu deputado que vote contra o Projeto  de Lei.

É chegada a hora de tomar posição.

Por favor, se concorda, se apóia a Defensoria Pública, passe adiante esta nota pública. O Dia é Terça Feira!

NOTA PÚBLICA

06/12/2011

As entidades abaixo assinadas vêm a público manifestar-se veementemente contrárias ao projeto de lei complementar PLC 65/11, em trâmite na ALESP, que pretende transferir a gestão do FAJ – Fundo de Assistência Judiciária da Defensoria Pública para a Secretaria de Justiça e Cidadania do Governo de São Paulo.

A proposta, de iniciativa de parlamentar, além de ignorar o modelo público constitucional de assistência jurídica vigente no país, está repleta de outras inconstitucionalidades: trata-se de vício de iniciativa porque a competência de legislar sobre a Defensoria Pública é do governador do Estado; e material, por afrontar a autonomia institucional, garantida pela emenda constitucional 45, de 2004, e a previsão constitucional de que o Estado deve prestar orientação jurídica por meio da Defensoria Pública, e não pelo Executivo e suas Secretarias.

As entidades subscritas também manifestam alto grau de preocupação com as consequências desta transferência da gestão do FAJ junto à população carente do Estado, destinatária final dos serviços da Defensoria Pública. O FAJ representa hoje cerca de 90% da verba destinada à instituição pelo Executivo Estadual. Na prática, portanto, o modelo proposto pela OAB/SP vai simplesmente inviabilizar a prestação de assistência jurídica gratuita realizada no Estado tanto pela Defensoria quanto pelos advogados dativos.

A Constituição Federal do Brasil, há 23 anos, estabeleceu como dever do Estado garantir a defesa jurídica daqueles que não podem arcar com as custas de um advogado particular. Nos termos da Carta Magna, em seu artigo 5°, LXXIV: “O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos”. E para efetivar esta prestação de serviço jurisdicional o artigo 134 da Constituição instituiu a Defensoria Pública. No entanto, contrariando a própria história da entidade, a atual diretoria da seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil persiste em caminhar no sentido oposto, colocando interesses corporativos à frente do modelo público de assistência jurídica vigente no país.

No Estado de São Paulo, a Defensoria Pública foi criada em 2006, após 18 anos do comando constitucional e após movimentação popular que envolveu mais de 400 entidades da sociedade civil organizada. Como a assistência jurídica gratuita é um dever público, nos locais onde ainda não há instalações da Defensoria, o Estado, por meio desta, paga advogados inscritos na OAB/SP para atuarem na defesa da população carente. Estes profissionais, que não prestaram concurso público, são remunerados a cada processo ou a cada audiência, por meio de receitas públicas advindas do FAJ, sem qualquer procedimento licitatório por força de lei, cuja constitucionalidade é questionada pela Procuradoria Geral da República e Defensoria Pública junto ao STF (ADIn 4163).

Este modelo, verificado nesta proporção apenas no Estado de São Paulo, constitui um paliativo, claramente inconstitucional, em transição, e altamente oneroso aos cofres públicos, ao bolso do cidadão contribuinte. Para que isso fique mais claro, imaginemos, por exemplo, se o número insuficiente de juízes e promotores no Estado de São Paulo recebesse a mesma tratativa. Para suprir tal lacuna, o Executivo contrataria bacharéis em Direito, sem concurso público, para atuarem como magistrados ou promotores de justiça.

Isso seria plausível? Como a resposta é não, por que para a instituição Defensoria Pública isso pode ser feito?

Enquanto o Estado não conta com o número ideal de defensores públicos para prestação de assistência jurídica gratuita, permanece a necessidade de contratação de advogados dativos. E como pelo ordenamento jurídico vigente cabe à Defensoria gerir o fundo do qual advém verbas para o pagamento de advogados conveniados, à instituição não resta outra alternativa senão zelar pela boa gestão do erário e honrar os deveres estipulados no convênio firmado com a Ordem dos Advogados.

Mas inconformada justamente com esta gestão do convênio realizado pela Defensoria e após ameaçar a interrupção dos serviços prestados pelos advogados dativos, as lideranças da advocacia paulista aprovaram no Colégio de Presidentes de Subseções, em outubro, proposta para esta transferência da gestão do convênio de Assistência Judicial. Em seguida, foi apresentado o projeto de lei 65/11 na Assembléia Legislativa do Estado com o mesmo objetivo.

Em resposta a uma nota divulgada pela OAB/SP, a administração da Defensoria Pública explica os porquês do não pagamento de pequena parcela de certidões aos advogados dativos. Durante processo de análise, “verificou-se que uma parte das certidões apresentava inconsistências e irregularidades, porque preenchidas sem todas as informações necessárias. Houve casos de pedidos de pagamento por situações não previstas nos termos do convênio. Havia também casos de certidões apresentadas em duplicidade”, diz a nota assinada no final de outubro.

Apesar da patente inconstitucionalidade deste projeto de lei, o deputado e advogado Jorge Caruso (PMDB) deu parecer favorável à iniciativa, causando grande perplexidade junto aos defensores públicos.

As entidades abaixo subscritas aguardam agora da Casa Legislativa paulista a manutenção do histórico compromisso com os princípios e regras constitucionais vigentes no país, votando pelo imediato arquivamento do PLC 65/11.

Assinam esta nota pública:

Associação Paulista de Defensores Públicos – APADEP

Associação Nacional de Defensores Públicos – ANADEP

Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo

Movimento Nacional da População de Rua – MNPR

União dos Movimentos de Moradia de São Paulo – UMMSP

Pastoral Carcerária de São Paulo

Instituto Terra, Trabalho e Cidadania – ITTC

Instituto Práxis de Direitos Humanos

Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM

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Visão de uma estudante da USP

Achei bem interessante a nota da Nathalia Safo sobre o ocorrido na USP, portanto resolvi publicar.

Se vc não fala mais que a boca, não perca seu tempo lendo isso. Pra quem tá falando mais que a boca, vou dividir as coisas, já que vcs que falam mais que a boca gostam de dividir tudo.

1 – existem policiais filhos da puta que têm problema de autoridade e gostam de ser violentos.

2 – existem policiais competentes que se diferem destes acima citados.

3 – existem estudantes da USP que acham que PM no campus é sinônimo de segurança.

4 – existem estudantes que acham que PM no campus não é sinônimo de segurança e querem outras alternativas para melhorar a segurança pq ela é um lixo.

A assembleia do dia 1 votou pela desocupação do prédio da FFLCH, propondo eventos, discussões e atos referentes à presença da PM no campus. Os alunos do item 4 sugeriram melhoras na iluminação, demanda de circulares, etc, etc, etc. Isso seria discutido em novas assembleias porque a VOTAÇÃO da ASSEMBLEIA determinou isto: DESOCUPAÇÃO DO PRÉDIO PARA REALIZAÇÃO DE OUTROS ATOS PARA A RETIRADA DA PM DO CAMPUS MAS INVESTIMENTO NA MELHORIA DA SEGURANÇA POR OUTROS MEIOS.

ALGUNS ALUNOS, que os que falam mais que a boca estão chamando de “esquerdistas fanáticos” “da época da ditadura” etc, etc, mesmo tendo perdido na votação, foram ocupar o prédio da reitoria, ato que NÃO FOI PREVISTO NA ASSEMBLEIA.

Eu, como estudante que NÃO QUER a PM no campus, porque SEI que PM NÃO É SINÔNIMO DE SEGURANÇA, não estou sendo representada por estes alunos que ocuparam a reitoria. Logo, EU não sou uma esquerdista revolucionária fanática.

Desta forma, aos que falam mais que a boca e gostam de ficar opinando sobre absolutamente tudo, a VEJA deve estar dando uma boa leitura pra vcs, mas as coisas não são preto no branco, gente. Por favor, tenham consciência ao receber informações e não achem que toda farinha vem do mesmo saco.

Isso vale pra quem acha que todo PM é violento, também. Pra quem acha que quem fuma maconha não estuda, pra quem acha que presença de PM é garantia de segurança, pra quem acha que uma coisa é automaticamente outra coisa só porque parece.

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A moda dos reaças

Publicado no Blog do Marcelo Rubens Paiva/ Estado de São Paulo em 6 de junho.

Como comentou uma leitora, Natália, no post anterior:

Cara, acho tão engraçada essa mania das pessoas de falarem com orgulho que são “politicamente incorretas” quando dizem absurdos… o sujeito vem, fala um monte de merda e diz que faz isso porque é inteligente (é um livre pensador, não segue o pensamento burro e dirigido das massas, etc) e porque não liga de ser “politicamente incorreto” porque afinal esse é o certo, a sociedade de hoje que está deturpada.

Coincidência. Eu pensava na mesma coisa.

O governador e o secretário municipal de segurança reconheceram que tanto a PM quanto a GCM exageraram na repressão à MARCHA DA MACONHA, que virou MARCHA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Alckmin chegou a dizer que não compactua com a ação violenta da PM.

Mas muitos leitores e alguns blogueiros continuam acreditando que a polícia estava certa: enfiar o cacete nos manifestantes.

Como os PMs que tiraram a identificação, para baterem numa boa.

A onda agora é ser bem REAÇA.

Se é humorista, e uma piada ultrapassa o limite do bom gosto, diz ser adepto do politicamente incorreto.

Que babaca agora é fazer censura contra intolerância.

Podemos zoar com judeu, gay, falar palavrão. É isso, que se foda, viva a liberdade!

Se alguém defende a Marcha da Maconha, faz apologia, é vagabundo.

Se defende a descriminalização do aborto, é contra a vida.

Se aplaude a iniciativa da aprovação da união homossexual, quer enviadar o Brasil todo- país que se orgulha de ser bem macho, bem família!

Se defende a punição de torturadores, é porque pactua com terroristas que só queriam implodir o estado de direito e instituir a ditadura do proletariado.

Deu, né?

Esta DiogoMainardização da imprensa e da pequena burguesia brasileira tem um nome na minha terra: má educação.

Esta recusa ao pensamento humanista que ressurgiu após a leva de ditaduras que caiu como um dominó a partir dos anos 80 tem outro nome: neofascismo.

É legal ser de direita?

Tá bacana desprezar os movimentos sociais, aplaudir a repressão contra eles?

Eu não acho.

Apesar de considerar o termo “politicamente correto”, do começo dos anos 90, a coisa mais fora de moda que existe, afirmo diante do que vejo e leio: eu, aleijado com tendências esquerdizantes, não era, mas agora sou TOTALMENTE politicamente correto.

+++

Foi uma semana marcada pelo protesto da gente diferenciada e gafes nas redes sociais, que têm 600 milhões de vigilantes no Facebook e 120 milhões no Twitter. Postaram:

Rafinha Bastos, no dia das mães: “Ae órfãos! Dia triste hoje, hein?”

Danilo Gentili, sobre os “velhos” de Higienópolis que temem uma estação de metrô: “A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz.”

Amanda Régis, torcedora do Flamengo, time eliminado da Copa do Brasil pelo Ceará: “Esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que têm moral, cambada de feios. Não é à toa que não gosto desse tipo de raça.”

Ed Motta, ao chegar em Curitiba: “O Sul do Brasil como é bom, tem dignidade isso aqui. Sim porque ooo povo feio o brasileiro rs. Em avião dá vontade chorar rs. Mas chega no Sul ou SP gente bonita compondo o ambiance rs.” Quando um leitor replicou que Motta não era “um arquétipo de beleza”, ele respondeu que estava “num plano superior”. “Eu tenho pena de ignorantes como vc… Brasileiros…”, escreveu. “A cultura que eu vivo é a CULTURA superior. Melhor que a maioria ya know?”

E na MTV, a Casa dos Autistas, quadro humorístico, chocou pelo mau gosto.

Todos pediram desculpas depois. Danilo, um dos maiores humoristas de stand-up que já vi, recebeu telefonema do departamento comercial da Band, pedindo para tirar o comentário. Ed Motta se revoltou contra a imprensa. Pergunta se temos o direito de reproduzir seus escritos particulares.

A internet trouxe a incrível rapidez na troca de informações e espaço para exposição de ideias. Alguns se lambuzam.

Dizem que são contra as patrulhas do politicamente correto.

Mas como ficam as domésticas ofendidas popr Delfim Netto, os órfãos recentes, aqueles que perderam parentes em Auschwitz, os nordestinos e os pais de autistas?

Tomara que, depois do pensamento grego, democracia, Renascença, a revolução industrial e tecnológica nos iluminem.

O preconceito não é apenas sintoma de ignorância, mas lapsos de um narcisista.

Ele nunca vai acabar?

***
Enquanto no Itaú Cultural, um símbolo de excelência em apoio às artes e alta tecnologia, em plena Avenida Paulista, uma mãe foi expulsa por amamentar o filho em público na exposição do Leonilson, artista que sofreu inúmeros preconceitos, morto vítima da Aids.

Ou melhor, viadão que morreu da peste gay, porque era promíscuo, diriam os reaças.

Os ânimos estão acirrados.

Encontro Nacional de Blogueiros

Prezados,

No Dia 17, 18 e 19 de junho acontecerá o Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Caso deseje se inscrever clique aqui.

É bem interessante, serão discutidos os mais variados temas sobre a política brasileira e é um ótimo momento para intercâmbio de idéias.

A vez de Campinas

Texto de Daniela Costa:
Desconsiderando o aspecto geográfico, Campinas não se encaixa mais no conceito de uma cidade de interior. Apresenta todas as boas (e más características) de uma metrópole, contribuindo consideravelmente para a Economia do Estado e sendo reconhecida como um importante pólo tecnológico para o Brasil. Infelizemente, temos noticiado as falcatruas e a corrupção nas licitações da Prefeitura desta cidade e, mais uma vez, numa tentativa (esperamos, vã) de defesa, o líder da cidade resolve cometer uma incoerência atrás da outra. Elenco algumas aqui:

Dr. Hélio (PDT), prefeito de Campinas

–  O prezado Dr. Hélio Santos disse, em entrevista coletiva, que seus dois principais secretários “iriam pedir exoneração no dia de ontem”. Como ele saberia, se eles estão foragidos?

–  Que ele manteria a secretária, a senhora sua esposa, chefe de Gabinete “enquanto ela estiver protegida por habeas corpus preventivo”. Será que ele só deseja proteger a esposa ou quer mantê-la no cargo? Será que Campinas merece essa atitude com relação àquela que é mencionada como chefe do esquema pelo Ministério Público?
–  Dr. Hélio também afirmou que o delator Dr. Aquino sempre foi “homem de sua confiança” (parece meio Cangaço, né?) desde a infância, mas que “deixou de ser na vida adulta”. INVERDADE: o Dr. Aquino era de tanta confiança que foi presidente da Sanasa no período do esquema de corrupção. Deixou de ser de confiança agora, quando decidiu salvar a própria pele, trocando benefícios ao concordar jogar a  merda no ventilador…
–  Disse, como todo bom político-acusado faz, que a crise é resultante de um “golpe político” e que “foi eleito no primeiro turno” (Aff! Pior que isso é verdade!!). Ora, não se trata de nenhum golpe político. São golpes de outra natureza e que devem ser esclarecidos.
Erroneamente, o PT demonstra desejar salvar o vice-prefeito, Demétrio Villagra, excluindo-o do processo. Mas pelo jeito, nem o próprio Demétrio está querendo defesa, já que, ao saber do processo no exterior (em viagem de férias) quinta-feira passada “correu” para providenciar a sua volta que seria na terça, agora será amanhã, quinta… Acho que estamos com poucos voos entre Espanha e Brasil, ou está esperando uma passagem mais barata? Bom, talvez os R$ 60 mil pudessem ajudar…
Mas nem tudo é só palhaçada. Finalmente a Câmara Municipal resolveu se render aos apelos do óbvio e aprovar por unanimidade a Comissão Processante do prefeito. A Casa Legislativa já havia perdido uma primeira chance, talvez por falta de atenção ou pressão da mídia local, quando nada concluiu na CPI da Sanasa.
O Ministério Público inicia uma nova fiscalização agora para apurar aprovações imobiliárias irregulares nesta  gestão. Embora ainda no início, a fiscalização pode trazer novos fatos para a cidade de Campinas. As perguntas são: novos personagens vão aparecer? Ou serão os mesmos personagens sendo fiscalizados? Não perca por esperar!
A Câmara Municipal deve agora satisfação aos campineiros sobre a apuração das irregularidades e os eleitores devem  acompanhar detalhadamente a postura, o procedimento e os votos de cada vereador.
Uma última curiosidade: a esposa do agora prisioneiro Ricardo Candia é a atual gerente do Departamento de mentação Escolar da Ceasa (isso mesmo: de onde o vice-prefeito Demétrio já pediu o afastamento). Ela cuida da merenda escolar, enriquecida em alguns momentos, para o bem da saúde das crianças, com a carne cara de avestruz. Só espero que a carne de avestruz também não venha de Corumbá…

Carta aberta para Jesus Cristo e Maomé – republicação

Prezados,

Sei que esse texto já foi publicado aqui anteriormente, mas, tendo em vista o massacre ocorrido na escola carioca ontem, acho que o tema da religião como desculpa para cometer atrocidades e barbaridades deve ser retomado.

É um absurdo que alguém use o nome de Deus, Alá, Jeová, Shiva, Buda, Ganesh, Zeus ou de qualquer outra divindade para cometer crimes, matar pessoas fazer perseguições.

Será que os profetas concordariam com tamanha barbaridades cometidas pelos seus seguidores?

Texto feito por Mike Stucin

Queridos Jesus Cristo e Maomé,

eu queria, com a humildade de um reles mortal, falar com vocês dois sobre a atual situação do mundo e, principalmente, a dos seus filhos, os humanos.

Meus caros, desde que partiram, há muito tempo, vocês deixaram uma grande rede de representantes, autorizados a falar e disseminar as suas doutrinas (pelo menos é assim que eles se apresentam).

Não sei se é por causa da paixão que a docência desperta em qualquer professor, mas os seus representantes exageraram diversas vezes desde que vocês voltaram ao paraíso e continuam a fazer isso nos dias de hoje.

Há tempos que eles estão exagerando! Por exemplo, há aproximadamente mil anos, muitas pessoas morreram por causa da divergência doutrinária entre as teses de vocês dois. É aquilo que na história chamamos de Cruzadas (deem uma pesquisada no Wikipedia). Hoje não temos mais Cruzadas, mas há representantes de vocês desejando muito uma nova Guerra Santa!

Gente, isso é grave! Vocês não concordam? Acho que o grande culpado disso é o “diz-que-me-diz”: muita gente tem interpretado os verdadeiros ensinamentos de vocês nos últimos séculos, e, claramente, deve ter havido alguma deturpação nas suas lições para a humanidade desde então.

Deixe-me ser mais claro. Jesus, os seus representantes falam em amor, mas têm as mãos sujas de sangue; eles falam em perdão, mas se especializaram em queimar pessoas (a inquisição fez o maior “churrasco” da história); falam em compreensão, mas por muito tempo foram experts em suplícios; evangelizaram os índios na base de ferro e fogo (esses caras realmente aprenderam na raça); os negros só vieram a ter alma no século XIX; e por aí vai. Ah, estava esquecendo: você sabia que a Ku Klux Klan se considera cristã? Mas esses caras aí não têm nada a ver com você, eu imagino.

Maomé, agora é com você: os absurdos mais explícitos cometidos pelos “cristãos” foram num passado já remoto, graças a Deus. Eles continuam a cometer abusos, mas de uma forma mais mascarada e com outro foco (por exemplo, os gays são os negros da vez).

Agora, tem gente sua fazendo pior nos dias de hoje, meu caro! No Irã, apedrejam mulheres acusadas de adultério até a morte; em algumas partes da África, as meninas têm o clitóris mutilado para não sentirem prazer nas relações sexuais. E depois tem esse lance do suicídio para fins terroristas com acesso automático ao paraíso, onde o kamikaze desfrutará de um número considerável de virgens para toda a eternidade (aliás, você deveria explicar melhor como funciona isso aí).

Jesus, nos últimos dias, um representante seu ameaçou queimar o livro dos muçulmanos, o Alcorão, colocando em perigo milhares de ocidentais nas consideradas zonas de risco no Oriente. Maomé, por outro lado, muitas bandeiras americanas e israelenses já foram queimadas em resposta à proposta do Pr. Jones.

O presidente do Irã nega o Holocausto; os judeus, por outro lado, negam um Estado aos palestinos em nome da própria segurança. Os EUA são “viciados” em petróleo, mas são bancados por banqueiros judeus. Assim, não sabem muito bem o que fazer. E, mesmo nesse quadro confuso, quando se chega próximo a um acordo, algum representante de vocês invoca o seu nome e estraga tudo. Assim não dá!

Sendo assim, eu peço para que vocês adiantem suas voltas e façam alguma coisa para sossegar os seus representantes. Digo isso porque, se as coisas continuarem assim, vocês não terão mais fiéis vivos por aqui para aprender o que vocês ensinaram.

Tem um cara bem intencionado na Casa Branca, que teria sido considerado um desalmado pelos cristãos se nascido na época errada. Vocês podem ajudá-lo nessa empreitada!

Abraços,

De um agnóstico desesperado.

Mike Stucin

 

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