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Posts Tagged ‘Gilberto Kassab’

E São Paulo?

12 de março de 2012 Deixe um comentário

Há pouco mais de duas semanas o PSDB e Serra noticiaram a novidade mais esperada dessas eleições. Serra seria candidato a Prefeito. Desculpem os que algum dia acreditaram no vampiro, mas era tão óbvio que Serra seria o candidato tucano a prefeito como é obvio que vai deixar a prefeitura para disputar a presidência ou o governo de São Paulo, provavelmente pelo PSD, conforme já foi noticiado por Kassab (Serra ganhando a prefeitura deixa o PSDB).
Com Serra na disputa os ventos mudaram a nau de Kassab de rumo. Estava próximo de fechar com o PT, possivelmente indicando o vice de Haddad. Serra anunciou o que óbvio e Kassab correu para junto de seu padrinho, afinal tem uma dívida de gratidão com Serra, que não só deixou a prefeitura para Kassab após menos de dois anos no cargo, como rachou o PSDB e impediu que Alckmin vencesse a disputa pela prefeitura em 2008.

A imprensa fez um enorme alarde. Muitos entendidos em política dão como certa a vitória tucana – apesar de eu duvidar que a maioria desses entenda alguma coisa de política – assim como era certa a vitória do PSDB em 2006 e depois em 2008. Colocam Serra como favorito, festejando a parceria com Kassab e com o PSD.

Esquecem-se de algumas coisas. Em primeiro lugar do candidato, que possui alto índice de rejeição, é antipático e dificilmente cumpre o prometido.

Fora isso temos que levar em consideração o atual estado da cidade de São Paulo. Podemos dizer que a marca da atual prefeitura é a falta. Falta de respeito com o cidadão que tem que pegar ônibus lotado todos os dias para ir ao trabalho ou ao estudo. Falta de cuidado com a cidade, que encontra-se toda esburacada. Falta de planejamento, o que pode ser visto com a situação caótica do trânsito. Falta de honestidade, demonstrada com o controlar, que fez com que os bens de Kassab fossem bloqueados até hoje permaneçam assim, sem que haja uma justificativa plausível por parte dele.

Não podemos nos esquecer que quem deu início a essa administração vergonhosa foi Serra, há pouco mais de sete anos. Deixou Kassab na prefeitura e foi concorrer a cargos mais pomposos.

Se fosse eu o candidato não gostaria de ver minha imagem atrelada a um prefeito que ouso dizer ter sido o pior que já vi. Quem me conhece sabe que não morro de amores pela Marta e não acho que o Pitta tenha sido um modelo de administrador, mas perto do Kassab eles são dois grandes estadistas.

Enquanto Serra buscava seu projeto pessoal, Kassab preocupava-se com a construção de um partido. Nesse meio tempo a cidade ficou abandonada. Os grandes problemas não foram resolvidos e os gênios da administração paulista conseguiram piorar algumas coisas, como quando proibiram a circulação de fretados.

São Paulo hoje é uma cidade que está carente de projetos que resolvam ou pelo menos amenizem os problemas diários da população. Nem tudo é tão difícil, precisamos tapar alguns buracos, colocar mais ônibus em circulação enquanto não chega o metrô, construir algumas ciclovias, dar atenção ao ex-moradores da cracolândia, que foram dispersados pela cidade para que buscassem “tratamento pela dor”, porém sem dar-lhes opções de tratamento em hospitais e clínicas de recuperação.

São Paulo precisa de uma administração que faça um planejamento mínimo de como ficará daqui cinco, dez, vinte anos. É algo complexo, e fica muito mais difícil quando o Prefeito está preocupado em perder mais uma eleição para presidente ou deseja montar mais um partido de aluguel.

Com tudo isso ainda não vi ninguém comentando quem é o melhor candidato para São Paulo. Vi quem ganhou o apoio do pior Prefeito da história da nossa cidade. Vi quem cresceu nas pesquisas assim que anunciou a candidatura. Vi quem irá atacar a atual gestão. Vi também quem os evangélicos vão atacar pois seu partido defende o aborto. Tudo isso a imprensa já me mostrou.

Mas o que é importante para escolher um candidato eu ainda não vi. Não vi projetos, não vi propostas e não vi como irão atenuar os problemas da cidade onde moro. Só vi politicagem e alianças que gostaria de não ter.

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A redução de impostos do Kassab

23 de dezembro de 2010 Deixe um comentário

Como os leitores do blog já devem ter notado, nem eu nem o Rafael morremos de amores pelo Kassab ou pelo seu partido, o DEM/PFL/ARENA. Porém, não podemos ser injustos com eles, de modo que quando fazem algo bom deve ser elogiado, mesmo porque Kassab, sua trupe e o PFL não fazem coisas boas todos os dias. Mas hoje não é um desses dias e, como de costume, Kassab errou a mão (de novo).

Uma das bandeiras mais hasteadas pelo DEM quando em campanha  é a redução da carga tributária. Alegam que os impostos no Brasil são altíssimos e que o empresário é sufocado pela alta carga tributária, o que prejudica a produção, geração de empregos e crescimento do país.

Até aí tudo bem, também concordo que pagamos muitos impostos e completo dizendo que muitas vezes o imposto pago é mal gerido quando chega aos cofres públicos. É preciso juntamente com a redução de impostos trabalhar-se para gerir melhor a res pública, evitando que o dinheiro do contribuinte seja jogado no ralo – ou melhor numa conta em algum paraíso fiscal – ou mal gasto.

Por mal gasto eu quero me referir a gastar-se com projetos ineficientes e demasiados onerosos ou que se gaste mais do que o produto, serviço ou obra custe.

Porém, há alguns serviços que deve o Poder Público prover à população, entre eles cito educação, iluminação pública, saúde e coleta de lixo.

É aí que chego ao ponto. Hoje, ouvi no rádio uma propaganda da prefeitura de São Paulo – gerida pelo Kassab – na qual orientava as pessoas a preencher um formulário sobre o lixo, e justificava a necessidade do preenchimento.

Segundo a propaganda as empresas que produzirem mais de dois sacos de lixo por dia deverão valer-se de serviço de coleta de lixo particular, desonerando a prefeitura desse serviço.

Não sei se a empresa será contratada pela prefeitura, sendo que o contribuinte deverá pagar à prefeitura o valor da empresa coletora de lixo ou se a empresa deverá contratar por conta própria o serviço particular de coleta de lixo, sei é que Kassab busca é reduzir o gasto público reduzindo serviços básicos que a sociedade contemporânea necessita.

Não tem cabimento pagar-se a particular por um serviço que deve ser provido pelo Estado. Coleta de lixo é um serviço necessário em qualquer cidade de médio porte hoje, no caso de São Paulo podemos dizer que é tão importante quanto saneamento básico ou educação e saúde. Não pode a prefeitura se furtar de prover a coleta de lixo alegando que algumas empresas produzem muito lixo.

Esse episódio me faz lembrar Marta Suplicy, que foi apelidada de Martaxa por criar diversas taxas, como de luz e de lixo, sendo que a criação dessas taxas foi um dos motivos dela não ter sido reeleita, pois José Serra, padrinho de Kassab, prometeu acabar com essas taxas.

A diferença é que agora essa taxa está escondida, ou melhor foi transformada em pagamento por um serviço particular. Ao invés de inventar um tributo Kassab extinguiu um serviço, sendo que o contribuinte deverá pagar um particular para realizar um serviço que é obrigação da prefeitura.

Será que precisa-se lembrar Kassab e o DEM que não basta reduzir a carga tributária, é preciso manter os serviços essenciais? De que adiantaria gastar menos de 1% do salário com impostos se o trabalhador tivesse que  pagar por todo e qualquer serviço público, como segurança pública, previdência, educação e outros?

O imposto serve para garantir à população os serviços essenciais, é inócua qualquer redução na carga tributária se o contribuinte é obrigado a pagar pelo serviço que o Estado oferecia antes, sendo esse pagamento direto ou indireto. Mas por mais que isso seja óbvio é o que parece que Kassab quer fazer (parece pois ainda não foi visto nenhuma movimentação buscando-se reduzir a carga tributária Municipal).

Mas vou aguardar que Kassab e sua trupe façam algo bom, afinal, algo de bom eles devem fazer em oito anos à frente da prefeitura.

Querem tomar conta do meu voto

31 de outubro de 2010 2 comentários

Às vésperas do segundo turno para as eleições presidenciais me deparei algumas vezes com familiares e amigos questionando porque não votarei no Serra, como se isso fosse uma heresia. Fiquei pensando um tempo sobre o que os outros tem a ver com o meu voto. Eu voto como bem entender, e nesse segundo turno exercerei o meu direito de não escolher nenhum candidato, mas se fosse obrigado a escolher, meu voto iria para Dilma Roussef.

Como todos tentaram me convencer que deveria votar no Serra, porém ninguém deu atenção aos meus motivos resolvi elencar aqui algumas das razões que me fazem não votar no tucano.

Os defensores do Serra acusam Dilma de ser autoritária, esquecem-se porém que Serra a todo momento usa seu poder para subjulgar o PSDB e ir contra a democracia em seu próprio partido. Assim ocorreu quando Zulaiê Cobra disputava as prévias do PSDB do Estado de São Paulo para ser candidata ao Senado. Ela havia conseguido o apoio de praticamente toda a base tucana, mas um dia antes da convenção José Serra, que seria candidato ao Governo de São Paulo, em reunião com a executiva estadual e com Zulaiê, anunciou que caso ela não retirasse a candidatura em favor do demo Guilherme Affif seria Serra que renunciaria à candidatura de governador do Estado. Resultado, Zulaiê se viu obrigada a não candidatar-se mesmo sabendo que ganharia a convenção do PSDB. Quando foi anunciada sua retirada da disputa a convenção estadual do PSDB de 2006 foi esvaziada e os militantes ficaram indignados.

Mas não foi só nesse episódio que Serra mostrou desprezar a democracia. No ano passado, ao seu comando, foram mantidas as executivas do PSDB municipais, estaduais e nacional. Isso sem qualquer consulta aos filiados, contrariando o Estatuto tucano . Serra fez isso para evitar que Aécio ganhasse força dentro das executivas e forçasse uma convenção para escolher quem seria o candidato à presidente pelo partido. Se isso não é golpe eu gostaria de saber qual o nome.

Se fossem essas as únicas vezes que Serra mostrou não se importar com as instituições para atingir seus objetivos pessoais não seria tão mal. Mas não posso me esquecer do ocorrido há dois anos, quando José Serra traiu o PSDB e Geraldo Alckmin apoiando o demo, ex-secretário de Celso Pitta e Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Enquanto os partidos discutiam a reforma política e buscavam assegurar a fidelidade partidária José Serra mostrou que é maior que o PSDB paulista e que não tem qualquer respeito por decisões tomadas em convenção partidária. Traiu o partido e seu companheiro Geraldo Alckmin para satisfazer seu anseio de ser candidato à presidente no ano de 2010.

Mas não é só o partido que José Serra despreza, também despreza as instituições estatais. Devo lembrar o episódio ocorrido em janeiro de 2008, quando 12 conselheiros do CENTRAN (Conselho Estadual de Trânsito) foram destituídos por julgarem procedentes os recursos de multa por rodízio, uma vez que ia contra o ordenamento jurídico brasileiro. A pedidos do Kassab, que recebia menos dinheiro com a anulação das multas, Serra achou melhor destituir o conselho do que fazer a lei ser aplicada. Isso é atitude de um estadista?

Também recuso-me a dar meu voto para Serra porque, no desespero de ganhar as eleições, aliou-se ao que de pior existe em nosso país quando se fala de movimentos sociais. Está ao lado dos religiosos mais fanáticos e retrógrados, incluindo a Tradição Família e Propriedade. Bombardeou Dilma com questionamentos se seria ela favorável ou contrária ao aborto, como se isso fosse um tema tão simples que se pode discutir com a sociedade em apenas um mês.

Em reuniões de cúpula da campanha do Serra foram distribuidos panfletos da Tradição Família e Propriedade ensinando como fazer as pessoas não votarem na Dilma. Abomino qualquer seita fanática ou fundamentalista, e acredito que quem está ao lado de uma instituição golpista como a TFP – ou alguém se esqueceu do golpe de 1964? – não pode ser boa coisa.

E não me venham com esse discursinho barato de ética. Quem é o PSDB para falar de ética? É o maior aliado do DEM/PFL/ARENA. E foi só começarem a falar de ética que surgiu Paulo Petro e desapareceram quatro milhões. E como se esquecer de Arruda e dos panetones de Brasília? Alguém se lembra que ele era cotado para ser o vice de Serra? (“Vote num careca e leve dois”). Isso sem falar nas privatizações promovidas pelo PSDB (quero deixar bem claro que sou favorável à privatização, é inegável que os serviços e desempenhos das empresas privatizadas está muito melhor hoje do quando eram estatais), as empresas não foram vendidas, elas foram entregues à iniciativa privada a preço de banana. Está claro como o dia que houve maracutaia nas privatizações. E quem era era o governo na época? Mais, quem era o responsável? José Serra.

Mas agora está na hora de falara de governo. O PSDB é conhecido em São Paulo por destratar o funcionalismo público. Paga mal professores, policiais, servidores do Poder Judiciário. As condições de trabalho para o funcionalismo público de São Paulo é péssima e quando há alguma manifestação a Tropa de Choque aparece para “acalmar” os manifestantes. O PSDB está há dezesseis anos no poder e a única coisa que conseguiu construir junto ao funcionalismo público de São Paulo foi ódio e mostrar descaso com os funcionários do Estado.

Mas já que estamos a falar de administração pública vamos entrar no tema do transporte público. O metrô que Serra disse que irá construir em todo o Brasil ainda é insuficiente em São Paulo. Pouco se construiu durante os dezesseis anos de administração tucana. E pior, gastou-se dinheiro para construir uma linha ligando nada a lugar nenhum (linha lilás). A baixada santista necessita de metrô e não há nenhum projeto para a região, situação idêntica enfrentada por Campinas.

Com isso o cidadão paulista enfrenta horas de congestionamento dentro do carro ou em ônibus cada vez mais lotados, pois nem Serra nem Kassab, seu pupilo, fizeram nada para melhorar a condição do transporte público de São Paulo, pelo contrário, o que fizeram foi deixar o trânsito mais caótico e o metrô e os ônibus mais lotados ao proibir-se a circulação de fretados.

Poderia ficar aqui até amanhã elencando os motivos que me fazem não votar no Serra, mas tenho que dormir pois amanhã acordarei cedo para apertar o botão branco na urna eletrônica.

E por que não votarei na Dilma? Não votarei na Dilma porque não quero dar o voto a uma candidata apenas por saber que seu adversário é muito pior que ela, não quero votar em alguém apenas por acreditar que o outro candidato é o pior possível. Votarei em branco porque o único motivo que me faria votar na Dilma é o medo de um oportunista ganhar, e como não existe mais esse medo sinto-me confortável em não votar em ninguém.

No mais, não fico triste ou acho alguém burro por votar em um picareta de marca maior como o Serra. O voto é seu e você dá a quem acreditar que seja o melhor. Posso não entender como uma pessoa sensata consiga votar em um cidadão com tantos podres como o Serra, mas respeito o seu direito de escolher quem ache melhor.

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