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A terceira opção

20 de março de 2012 Deixe um comentário

Tem-se dado bastante atenção às candidaturas de Serra e de Fernando Haddad. Os jornais de São Paulo parecem realmente acreditar que não se pode sair dessa dicotomia. Mesmo com mostras que a eleição na capital paulista não é tão simples como pensa a maioria, todos insistem em que PT e PSDB travarão mais um duelo.

Esquecem-se da útima eleição, quando Kassab, o azarão, acabou por superar Geraldo Alckmin, foi para o  segundo turno e derrotou o PT de Marta Suplicy.

Cada vez mais acredito que  as previsões tucanas não se concretizarão. Na minha opinião escolheram o pior candidato possível. Serra tem alta rejeição, é antipático, não cumpre o prometido e representa a péssima administração paulistana.  Fora isso, impede o crescimento de novas lideranças no ninho tucano, sufocando novos candidatos eleição após eleição.

Mas esse post não para falar do Serra, é para mostrar que há uma terceira candidatura que, ao meu ver, irá fazer com que essa eleição seja bem mais disputada do que os analistas políticos estão pensando.


Chalita conseguiu hoje sua segunda aliança, mais uma vez com um partido ligado à igreja. Já havia fechado com o PSC, hoje foi anunciado que o PTC também aderiu à candidatura do pemedebista.

Por mais que sejam partidos nanicos e pouco expressivos, mostra que a candidatura de Chalita está de pé. Mais importante do que isso, Chalita está angariando apoio no nicho eleitoral que nas últimas eleições votou no PSDB, ou melhor, contra o PT. Se o apoio desses partidos trouxer parcela expressiva do eleitorado conservador pertencente ao seguimento religioso, o PMDB de Chalita terá grandes chances de crescer e disputar o segundo turno. E, sinceramente, duvido que o PT fique fora do segundo turno.

Com isso o PMDB terá grandes chances de assumir o vácuo que o próprio PSDB criou em São Paulo ao deixar José Serra sufocar novas lideranças com suas insistentes candidaturas.

A população de São Paulo está cansada da lentidão do governo do PSDB, que demora para inaugurar metrô, que fecha as delegacias nos fins de semana e à noite, que teima em não contratar servidores públicos apesar da clara falta deles. Está cansada de ver a violência aumentando no Estado, de ver paralisações de professores e outros servidores públicos por causa de baixos salários.

Com Chalita na prefeitura de São Paulo o PMDB terá uma ótima vitrine para alavancar a candidatura de Paulo Skaf ao governo do Estado e, quem sabe, desbancar Geraldo Alckmin. Tanto Chalita quanto Skaf irão buscar os mesmos votos que historicamente são do PSDB, portanto o cenário mais provável, caso Chalita vença a prefeitura, é que a disputa entre PT e PSDB em São Paulo seja substituída pela disputa entre PT e PMDB.

Isso se dará por culpa do próprio PSDB, que teima em não lançar nomes novos para disputar a prefeitura de São Paulo. Caso Serra seja derrotado somente Alckmin terá forças para representar o PSDB, o que não garantirá que consiga alavancar um novo nom
e para a prefeitura em 2018, mesmo que tenha sido reeleito.

Esperemos para ver, mas acredito que Chalita, ex-PSDB, será quem irá fazer o funeral tucano em São Paulo.

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E São Paulo?

12 de março de 2012 Deixe um comentário

Há pouco mais de duas semanas o PSDB e Serra noticiaram a novidade mais esperada dessas eleições. Serra seria candidato a Prefeito. Desculpem os que algum dia acreditaram no vampiro, mas era tão óbvio que Serra seria o candidato tucano a prefeito como é obvio que vai deixar a prefeitura para disputar a presidência ou o governo de São Paulo, provavelmente pelo PSD, conforme já foi noticiado por Kassab (Serra ganhando a prefeitura deixa o PSDB).
Com Serra na disputa os ventos mudaram a nau de Kassab de rumo. Estava próximo de fechar com o PT, possivelmente indicando o vice de Haddad. Serra anunciou o que óbvio e Kassab correu para junto de seu padrinho, afinal tem uma dívida de gratidão com Serra, que não só deixou a prefeitura para Kassab após menos de dois anos no cargo, como rachou o PSDB e impediu que Alckmin vencesse a disputa pela prefeitura em 2008.

A imprensa fez um enorme alarde. Muitos entendidos em política dão como certa a vitória tucana – apesar de eu duvidar que a maioria desses entenda alguma coisa de política – assim como era certa a vitória do PSDB em 2006 e depois em 2008. Colocam Serra como favorito, festejando a parceria com Kassab e com o PSD.

Esquecem-se de algumas coisas. Em primeiro lugar do candidato, que possui alto índice de rejeição, é antipático e dificilmente cumpre o prometido.

Fora isso temos que levar em consideração o atual estado da cidade de São Paulo. Podemos dizer que a marca da atual prefeitura é a falta. Falta de respeito com o cidadão que tem que pegar ônibus lotado todos os dias para ir ao trabalho ou ao estudo. Falta de cuidado com a cidade, que encontra-se toda esburacada. Falta de planejamento, o que pode ser visto com a situação caótica do trânsito. Falta de honestidade, demonstrada com o controlar, que fez com que os bens de Kassab fossem bloqueados até hoje permaneçam assim, sem que haja uma justificativa plausível por parte dele.

Não podemos nos esquecer que quem deu início a essa administração vergonhosa foi Serra, há pouco mais de sete anos. Deixou Kassab na prefeitura e foi concorrer a cargos mais pomposos.

Se fosse eu o candidato não gostaria de ver minha imagem atrelada a um prefeito que ouso dizer ter sido o pior que já vi. Quem me conhece sabe que não morro de amores pela Marta e não acho que o Pitta tenha sido um modelo de administrador, mas perto do Kassab eles são dois grandes estadistas.

Enquanto Serra buscava seu projeto pessoal, Kassab preocupava-se com a construção de um partido. Nesse meio tempo a cidade ficou abandonada. Os grandes problemas não foram resolvidos e os gênios da administração paulista conseguiram piorar algumas coisas, como quando proibiram a circulação de fretados.

São Paulo hoje é uma cidade que está carente de projetos que resolvam ou pelo menos amenizem os problemas diários da população. Nem tudo é tão difícil, precisamos tapar alguns buracos, colocar mais ônibus em circulação enquanto não chega o metrô, construir algumas ciclovias, dar atenção ao ex-moradores da cracolândia, que foram dispersados pela cidade para que buscassem “tratamento pela dor”, porém sem dar-lhes opções de tratamento em hospitais e clínicas de recuperação.

São Paulo precisa de uma administração que faça um planejamento mínimo de como ficará daqui cinco, dez, vinte anos. É algo complexo, e fica muito mais difícil quando o Prefeito está preocupado em perder mais uma eleição para presidente ou deseja montar mais um partido de aluguel.

Com tudo isso ainda não vi ninguém comentando quem é o melhor candidato para São Paulo. Vi quem ganhou o apoio do pior Prefeito da história da nossa cidade. Vi quem cresceu nas pesquisas assim que anunciou a candidatura. Vi quem irá atacar a atual gestão. Vi também quem os evangélicos vão atacar pois seu partido defende o aborto. Tudo isso a imprensa já me mostrou.

Mas o que é importante para escolher um candidato eu ainda não vi. Não vi projetos, não vi propostas e não vi como irão atenuar os problemas da cidade onde moro. Só vi politicagem e alianças que gostaria de não ter.

E Serra pode ser, novamente, o candidato do PSDB

8 de dezembro de 2011 Deixe um comentário

Nos últimos dias os jornais têm estampado notícias que demonstram que Serra sinaliza ter aceitado candidatar-se a prefeito da cidade de São Paulo.

Com isso, a tendência é que o PSD, partido de Kassab, apoie o PSDB nas eleições. Há também a possibilidade do DEM, que já disse que não entraria numa coligação da qual o PSD faça parte, volte atrás nas declarações e embarque na candidatura de Serra.

Independente da força que terá a aliança, do peso no nome de Serra e do tempo de TV e rádio, eu não acredito lançar Serra para prefeito seja uma boa alternativa para o PSDB.

Há tempos que os tucanos temem em mostrar um candidato novo. Por isso perderam Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, Gustavo Fruet no Paraná e Gabriel Chalita, na minha opinião o candidato com mais chances de vitória à prefeitura de São Paulo.

Temem lançar um candidato que não emplaque logo de cara e percam a chance de administrar a cidade. Esquecem-se que política deve ser pensada a longo prazo.

Com isso mais uma vez as chances de Serra, hoje um dinossauro da política tupiniquim, ser candidato aumentam. Esquecem-se da grande rejeição que o tucano enfrenta. Esquecem-se de que o povo paulista nunca o viu cumprindo um mandato inteiro – apesar do documento assinado quando foi candidato à prefeitura – e que é ele o principal responsável pelo crescimento de Kassab, que esmagou Alckmin nas eleições de 2008.

Serra é um candidato que traz discórdia consigo. Não será capaz de unir o PSDB em torno do seu nome. Para muitos tucanos o melhor cenário possível é Serra perder o pleito, fazendo assim o seu próprio funeral político. Um desses é Geraldo Alckmin, que creio estar alimentado a ideia de Serra ser prefeito para poder ver o meio aliado, meio rival enforcar-se na própria ambição. Com isso o PSDB paulista seria comandado apenas por seu grupo, ficaria livre para atuar da forma que bem entender em São Paulo.

Os motivos que fazem Serra ser um ótimo candidato para os adversários são simples. Tem forte rejeição, deixou o prefeitura nas mãos de Kassab, que mostrou ser o pior prefeito desde Celso Pitta, não está acostumado a cumprir promessas de campanha, e é um nome que todos sabem qual é o teto de sua votação.

Soma-se a isso o fato de que um de seus adversários será Gabriel Chalita, ex-secretário da Educação de São Paulo e ex-tucano. Saiu do PSDB porque não via espaço para que pudesse alcançar suas pretensões políticas. Depois de uma breve passagem pelo PSB foi para o PMDB, partido que está buscando espaço em São Paulo e com isso irá investir pesado para ganhar a capital.

Chalita buscará os mesmos votos que foram do PSDB outrora. Não duvido que consiga. É um nome novo, é simpático e terá muitos recursos financeiros para sua campanha. Soma-se que o apoio do DEM está cada vez mais próximo, uma vez que o partido se recusa a dividir a aliança com Kassab.

O PSDB, assim como fazem o PT e o PMDB, deveria investir em um nome novo, quem sabe um dos pré-candidatos. As chances de vitória podem parecer pequenas no momento, mas certamente com a propaganda eleitoral o candidato ficará mais conhecido e crescerá nas pesquisas. Resta saber se será o bastante para disputar o segundo turno. O momento é propício, os principais adversários nunca disputaram um cargo majoritário e também são desconhecidos do eleitorado.

Se o PSDB continuar com sua postura de só apostar em figuras há muito conhecidas perderá muitos Chalitas, Eduardos Paes e Fruets até aprender que eleição também se faz pensando a longo prazo.

PSD – o pesadelo partidário

26 de abril de 2011 1 comentário

Quando Kassab manifestou o interesse de lançar um novo partido algumas lideranças logo ficaram alarmadas. Viram em sua manobra uma grande chance dos partidos fisiológicos e de oposição perderem espaço para esse novo partido. Diversos nomes mostraram interesse em acompanhar Kassab, parecia que realmente iria mudar bastante a cena político-partidária brasileira.

Com o tempo pareceu que o medo seria infundado, diversos parlamentares que estariam com Kassab recusaram-se a acompanha-lo. A oposição relaxou e o governo passou a não dar mais tanta atenção ao projeto do prefeito de São Paulo, uma vez que parecia que não seriam tão grandes as dissidências nos partidos atuais.

Com o partido e vias de ser fundado os ventos mudaram mais uma vez. O que alguns acreditavam ser a fundação de mais um nanico mostrou que era na verdade a fundação de um partido que dará dor de cabeça ao governo e, principalmente, à oposição, dependendo do rumo tomado.

Sem nenhuma eleição disputada o partido já administra – ainda que muito mal – a maior cidade do Brasil, já possui uma Senadora e um Governador, além de inúmeros deputados e vereadores. É maior do que muitos partidos que forma fundados há vinte anos e está causando estragos em todo quadro partidário brasileiro.

Mas o que parecia ser uma dissidência do DEM mostrou ser uma saída para diversos políticos sem espaço nos próprios partidos. Exemplo disso é São Paulo, onde diversos vereadores tucanos e um Secretário do Município deixaram seus partidos para, ao que parece, juntarem-se à nova agremiação.

Péssimo para o PSDB e pior ainda para José Serra. Enquanto o partido perde diversos vereadores e um dos grandes arrecadadores de campanha, o ex-prefeito, ex-governador e eterno segundo colocado nas eleições presidenciais fica cada dia mais isolado no partido que fundou. A ala serrista/kassabista do PSDB está esvaziando o PSDB paulista, com isso o partido perde representatividade e Serra vê cada vez menos chances de voltar a figurar como grande nome do PSDB.

Resta a Serra ponderar se é melhor deixar-se apodrecer como defunto não enterrado no PSDB ou aventurar-se no PSD e tentar mais uma vez a presidência, mas dessa vez com grandes chances de cair uma posição na disputa presidencial, uma vez que Aécio Neves virá forte e com grandes chances de trazer consigo uma parcela da base aliada do governo Dilma.

Esperemos os próximos capítulos, com as eleições municipais e a Copa do Mundo como eventos que poderão decidir o rumo político do Brasil.

FHC na presidência do PSDB

26 de novembro de 2010 Deixe um comentário

Surgem rumores que aliados do PSDB gostariam de ver FHC na presidência do partido. Encabeçando os entusiastas da proposta figura Raul Julngmann, do PPS. Defende que FHC seria o único capaz de acabar com as desavenças do PSDB mineiro, liderado por Aécio Neves, e do PSDB paulista, liderado por José Serra.

Sem dúvida o PSDB, caso deseje voltar ao poder federal, ter candidatos competitivos e recobrar o respeito da sociedade, necessitará acabar com as guerras internas – das quais Serra é sempre um dos protagonistas – rever alguns conceitos e projetos e unir-se em torno de um ideal comum. Sem dúvida que no quesito de unir o PSDB e acaber com as desavenças regionais FHC seria o mais indicado para assumir a presidência, possui o respeito e admiração do todo partido além de ser um hábil político com trânsito em todos os segmentos tucanos.

Resta saber se FHC aceitaria liderar um movimento de renovação ideológica e até mesmo de quadros – é inegável que o PSDB possui diversos quadros fortes regionalmente, porém quando se fala de Brasil só lembramos de Aécio Neves, FHC, Serra e Alckmin, os demais são lideranças regionais sem projeção federal. FHC já manifestou-se contrario à refundação do PSDB, e nesse momento o PSDB precisa rever sua ideologia e até mesmo a política de alianças.

Com FHC na presidência do partido seria possível que os tucanos defendessem a sua administração, que deu as bases para que Lula conseguisse avançar tanto na distribuição de renda e nas ações sociais do governo. Foi do PSDB o PROER, que impediu que os bancos brasileiros quebrassem junto com a economia mundial (até Lula falou que o resto do mundo deveria adotar o modelo brasileiro). Enfim, houve muitos avanços durante a gestão FHC, porém o PSDB sempre teve medo de defender sua gestão com medo de comparações baseadas nos índices de crescimento, resultado, se nem o PSDB defende a sua gestão fica difícil para a população acreditar que a gestão FHC foi boa e que os tucanos são bons administradores.

Certamente a refundação do PSDB deve incluir a defesa das ações e projetos feitos durante o governo FHC, e quem melhor do que o próprio FHC para defender sua administração?

Porém, há poréns na questão de se ter FHC à frente do PSDB. Não se sabe se FHC aceitaria tal incumbência e não se sabe se os caciques tucanos desejam ver o ex-presidente à frente do partido. Como já foi dito, quem encabeça a proposta é Raul Jungmann, do PPS, que apesar da proximidade com o PSDB não possui poder decisório.

Esperemos para ver o andamento. O certo é que se o PSDB não conseguir acabar com as disputas internas e rever suas ações e ideais, estará fadado a ser mais um PMDB, porém um PMDB sem ministérios.

Querem tomar conta do meu voto

31 de outubro de 2010 2 comentários

Às vésperas do segundo turno para as eleições presidenciais me deparei algumas vezes com familiares e amigos questionando porque não votarei no Serra, como se isso fosse uma heresia. Fiquei pensando um tempo sobre o que os outros tem a ver com o meu voto. Eu voto como bem entender, e nesse segundo turno exercerei o meu direito de não escolher nenhum candidato, mas se fosse obrigado a escolher, meu voto iria para Dilma Roussef.

Como todos tentaram me convencer que deveria votar no Serra, porém ninguém deu atenção aos meus motivos resolvi elencar aqui algumas das razões que me fazem não votar no tucano.

Os defensores do Serra acusam Dilma de ser autoritária, esquecem-se porém que Serra a todo momento usa seu poder para subjulgar o PSDB e ir contra a democracia em seu próprio partido. Assim ocorreu quando Zulaiê Cobra disputava as prévias do PSDB do Estado de São Paulo para ser candidata ao Senado. Ela havia conseguido o apoio de praticamente toda a base tucana, mas um dia antes da convenção José Serra, que seria candidato ao Governo de São Paulo, em reunião com a executiva estadual e com Zulaiê, anunciou que caso ela não retirasse a candidatura em favor do demo Guilherme Affif seria Serra que renunciaria à candidatura de governador do Estado. Resultado, Zulaiê se viu obrigada a não candidatar-se mesmo sabendo que ganharia a convenção do PSDB. Quando foi anunciada sua retirada da disputa a convenção estadual do PSDB de 2006 foi esvaziada e os militantes ficaram indignados.

Mas não foi só nesse episódio que Serra mostrou desprezar a democracia. No ano passado, ao seu comando, foram mantidas as executivas do PSDB municipais, estaduais e nacional. Isso sem qualquer consulta aos filiados, contrariando o Estatuto tucano . Serra fez isso para evitar que Aécio ganhasse força dentro das executivas e forçasse uma convenção para escolher quem seria o candidato à presidente pelo partido. Se isso não é golpe eu gostaria de saber qual o nome.

Se fossem essas as únicas vezes que Serra mostrou não se importar com as instituições para atingir seus objetivos pessoais não seria tão mal. Mas não posso me esquecer do ocorrido há dois anos, quando José Serra traiu o PSDB e Geraldo Alckmin apoiando o demo, ex-secretário de Celso Pitta e Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Enquanto os partidos discutiam a reforma política e buscavam assegurar a fidelidade partidária José Serra mostrou que é maior que o PSDB paulista e que não tem qualquer respeito por decisões tomadas em convenção partidária. Traiu o partido e seu companheiro Geraldo Alckmin para satisfazer seu anseio de ser candidato à presidente no ano de 2010.

Mas não é só o partido que José Serra despreza, também despreza as instituições estatais. Devo lembrar o episódio ocorrido em janeiro de 2008, quando 12 conselheiros do CENTRAN (Conselho Estadual de Trânsito) foram destituídos por julgarem procedentes os recursos de multa por rodízio, uma vez que ia contra o ordenamento jurídico brasileiro. A pedidos do Kassab, que recebia menos dinheiro com a anulação das multas, Serra achou melhor destituir o conselho do que fazer a lei ser aplicada. Isso é atitude de um estadista?

Também recuso-me a dar meu voto para Serra porque, no desespero de ganhar as eleições, aliou-se ao que de pior existe em nosso país quando se fala de movimentos sociais. Está ao lado dos religiosos mais fanáticos e retrógrados, incluindo a Tradição Família e Propriedade. Bombardeou Dilma com questionamentos se seria ela favorável ou contrária ao aborto, como se isso fosse um tema tão simples que se pode discutir com a sociedade em apenas um mês.

Em reuniões de cúpula da campanha do Serra foram distribuidos panfletos da Tradição Família e Propriedade ensinando como fazer as pessoas não votarem na Dilma. Abomino qualquer seita fanática ou fundamentalista, e acredito que quem está ao lado de uma instituição golpista como a TFP – ou alguém se esqueceu do golpe de 1964? – não pode ser boa coisa.

E não me venham com esse discursinho barato de ética. Quem é o PSDB para falar de ética? É o maior aliado do DEM/PFL/ARENA. E foi só começarem a falar de ética que surgiu Paulo Petro e desapareceram quatro milhões. E como se esquecer de Arruda e dos panetones de Brasília? Alguém se lembra que ele era cotado para ser o vice de Serra? (“Vote num careca e leve dois”). Isso sem falar nas privatizações promovidas pelo PSDB (quero deixar bem claro que sou favorável à privatização, é inegável que os serviços e desempenhos das empresas privatizadas está muito melhor hoje do quando eram estatais), as empresas não foram vendidas, elas foram entregues à iniciativa privada a preço de banana. Está claro como o dia que houve maracutaia nas privatizações. E quem era era o governo na época? Mais, quem era o responsável? José Serra.

Mas agora está na hora de falara de governo. O PSDB é conhecido em São Paulo por destratar o funcionalismo público. Paga mal professores, policiais, servidores do Poder Judiciário. As condições de trabalho para o funcionalismo público de São Paulo é péssima e quando há alguma manifestação a Tropa de Choque aparece para “acalmar” os manifestantes. O PSDB está há dezesseis anos no poder e a única coisa que conseguiu construir junto ao funcionalismo público de São Paulo foi ódio e mostrar descaso com os funcionários do Estado.

Mas já que estamos a falar de administração pública vamos entrar no tema do transporte público. O metrô que Serra disse que irá construir em todo o Brasil ainda é insuficiente em São Paulo. Pouco se construiu durante os dezesseis anos de administração tucana. E pior, gastou-se dinheiro para construir uma linha ligando nada a lugar nenhum (linha lilás). A baixada santista necessita de metrô e não há nenhum projeto para a região, situação idêntica enfrentada por Campinas.

Com isso o cidadão paulista enfrenta horas de congestionamento dentro do carro ou em ônibus cada vez mais lotados, pois nem Serra nem Kassab, seu pupilo, fizeram nada para melhorar a condição do transporte público de São Paulo, pelo contrário, o que fizeram foi deixar o trânsito mais caótico e o metrô e os ônibus mais lotados ao proibir-se a circulação de fretados.

Poderia ficar aqui até amanhã elencando os motivos que me fazem não votar no Serra, mas tenho que dormir pois amanhã acordarei cedo para apertar o botão branco na urna eletrônica.

E por que não votarei na Dilma? Não votarei na Dilma porque não quero dar o voto a uma candidata apenas por saber que seu adversário é muito pior que ela, não quero votar em alguém apenas por acreditar que o outro candidato é o pior possível. Votarei em branco porque o único motivo que me faria votar na Dilma é o medo de um oportunista ganhar, e como não existe mais esse medo sinto-me confortável em não votar em ninguém.

No mais, não fico triste ou acho alguém burro por votar em um picareta de marca maior como o Serra. O voto é seu e você dá a quem acreditar que seja o melhor. Posso não entender como uma pessoa sensata consiga votar em um cidadão com tantos podres como o Serra, mas respeito o seu direito de escolher quem ache melhor.

Sobre o aborto

29 de outubro de 2010 1 comentário

O aborto tem sido um dos temas centrais do segundo turno. O PSDB acusa Dilma de ser favorável ao aborto, enquanto isso Dilma prefere dizer ser favorável à vida.

Em que pese o fato da campanha tucana mostrar desespero ao aliar-se às correntes mais retrógradas para falar sobre aborto, esse é um assunto que deve ter atenção da população. Porém, diferente do que vem ocorrendo nessas eleições, na qual o aborto é tratado como tema religioso – esqueceram que o Brasil deveria ser um estado laico – o aborto deve ser discutido levando-se em conta questões científicas e de saúde pública.

Deve-se levar em conta que o discurso contrário ao aborto baseado na defesa da vida pode ser um tanto quanto falho. Quando se fala em defesa da vida é necessário levar em conta também a vida da gestante. Existem alguns fatos que devemos levar em conta, entre eles estão os seguintes: hoje o aborto é praticado, a legislação punindo ou não; mulheres quem tem dinheiro abortam com relativa segurança em consultórios e clinicas médica bem equipadas, mulheres sem condições financeiras praticam o aborto em casa ou com carniceiros, isso faz com que o risco de morte aumente consideravelmente; morrem todo ano diversas mulheres que praticam o aborto, sendo que essas mortes poderiam ser evitadas caso fosse possível abortar na rede pública de saúde; e, caso seja permitido, o aborto será facultativo à mulher e não obrigatório (parece algo desnecessário de dizer, mas as pessoas contrárias ao aborto geralmente defendem o seu ponto de vista como se toda mulher grávida fosse obrigada a abortar no caso de ser descriminalizada a conduta).

Eu, particularmente, sou favorável ao aborto, e acredito que a decisão deva ser exclusiva da mulher, que deve ter soberania sobre o seu corpo.

Com a proibição do aborto mulheres morrem em clínicas clandestinas ou mesmo em casa, ao tentar retirar o feto do útero. A proteção à vida acaba fazendo com que o feto (que não tem vida) e a mulher morram.

Outro ponto importante é a questão religiosa por trás do aborto. O fiéis, sejam de qual religião sejam, tratam o aborto como um dogma, como uma verdade absoluta que não deve ser contestada. O que ocorre com isso é que evita-se uma discussão séria e sensata sobre o tema. Os religiosos deveriam se abster de tratar esses temas usando a Bíblia, o Alcorão ou qualquer outro livro sagrado com fundamentação. Como já disse o Estado brasileiro é laico (pelo menos segundo a Constituição), assim as leis devem ser elaboradas sem o “ditames sagrados das leis divinas”.

Outro ponto importante para ser levado em conta quando se fala de aborto e coloca-se religião no meio é a questão da Igreja Católica. Suspeita-se que milhares, talvez milhões, de freiras tenham realizado o aborto para esconder a gravidez. Essa semana mesmo ouvi mais um comentário sobre um lugar onde podem estar enterrados diversos fetos abortados por freiras. Não posso afirmar com veemência que os boatos de freiras que abortam seja verdadeiro, mas é inegável que se isso for verdade, membros da Igreja Católica abortam com a a ciência de padres e bispos, e esses mesmos padres e bispos defendem a proibição do aborto, assim algo deve estar errado. A palavra para definir esse tipo de conduta não seria hipocrisia?

Claro que minhas opinião também não devem ser levadas como verdades absolutas, os mais indicados para discutir tal questão são médicos e cientistas. Acredito que eles possuam mais dados para dizer à sociedade se o aborto deve ser tratado com questão de saúde pública ou política criminal.

Eu, por ser favorável à vida e acreditar que o aborto cause mais morte sendo questão de política criminal do que de saúde pública defendo sua descriminalização. Mas não defendo apenas a descriminalização, defendo que após as eleições, sem que os ânimos estejam aflorados, discuta-se essa questão com mais calma e discernimento.

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