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E São Paulo?

12 de março de 2012 Deixe um comentário

Há pouco mais de duas semanas o PSDB e Serra noticiaram a novidade mais esperada dessas eleições. Serra seria candidato a Prefeito. Desculpem os que algum dia acreditaram no vampiro, mas era tão óbvio que Serra seria o candidato tucano a prefeito como é obvio que vai deixar a prefeitura para disputar a presidência ou o governo de São Paulo, provavelmente pelo PSD, conforme já foi noticiado por Kassab (Serra ganhando a prefeitura deixa o PSDB).
Com Serra na disputa os ventos mudaram a nau de Kassab de rumo. Estava próximo de fechar com o PT, possivelmente indicando o vice de Haddad. Serra anunciou o que óbvio e Kassab correu para junto de seu padrinho, afinal tem uma dívida de gratidão com Serra, que não só deixou a prefeitura para Kassab após menos de dois anos no cargo, como rachou o PSDB e impediu que Alckmin vencesse a disputa pela prefeitura em 2008.

A imprensa fez um enorme alarde. Muitos entendidos em política dão como certa a vitória tucana – apesar de eu duvidar que a maioria desses entenda alguma coisa de política – assim como era certa a vitória do PSDB em 2006 e depois em 2008. Colocam Serra como favorito, festejando a parceria com Kassab e com o PSD.

Esquecem-se de algumas coisas. Em primeiro lugar do candidato, que possui alto índice de rejeição, é antipático e dificilmente cumpre o prometido.

Fora isso temos que levar em consideração o atual estado da cidade de São Paulo. Podemos dizer que a marca da atual prefeitura é a falta. Falta de respeito com o cidadão que tem que pegar ônibus lotado todos os dias para ir ao trabalho ou ao estudo. Falta de cuidado com a cidade, que encontra-se toda esburacada. Falta de planejamento, o que pode ser visto com a situação caótica do trânsito. Falta de honestidade, demonstrada com o controlar, que fez com que os bens de Kassab fossem bloqueados até hoje permaneçam assim, sem que haja uma justificativa plausível por parte dele.

Não podemos nos esquecer que quem deu início a essa administração vergonhosa foi Serra, há pouco mais de sete anos. Deixou Kassab na prefeitura e foi concorrer a cargos mais pomposos.

Se fosse eu o candidato não gostaria de ver minha imagem atrelada a um prefeito que ouso dizer ter sido o pior que já vi. Quem me conhece sabe que não morro de amores pela Marta e não acho que o Pitta tenha sido um modelo de administrador, mas perto do Kassab eles são dois grandes estadistas.

Enquanto Serra buscava seu projeto pessoal, Kassab preocupava-se com a construção de um partido. Nesse meio tempo a cidade ficou abandonada. Os grandes problemas não foram resolvidos e os gênios da administração paulista conseguiram piorar algumas coisas, como quando proibiram a circulação de fretados.

São Paulo hoje é uma cidade que está carente de projetos que resolvam ou pelo menos amenizem os problemas diários da população. Nem tudo é tão difícil, precisamos tapar alguns buracos, colocar mais ônibus em circulação enquanto não chega o metrô, construir algumas ciclovias, dar atenção ao ex-moradores da cracolândia, que foram dispersados pela cidade para que buscassem “tratamento pela dor”, porém sem dar-lhes opções de tratamento em hospitais e clínicas de recuperação.

São Paulo precisa de uma administração que faça um planejamento mínimo de como ficará daqui cinco, dez, vinte anos. É algo complexo, e fica muito mais difícil quando o Prefeito está preocupado em perder mais uma eleição para presidente ou deseja montar mais um partido de aluguel.

Com tudo isso ainda não vi ninguém comentando quem é o melhor candidato para São Paulo. Vi quem ganhou o apoio do pior Prefeito da história da nossa cidade. Vi quem cresceu nas pesquisas assim que anunciou a candidatura. Vi quem irá atacar a atual gestão. Vi também quem os evangélicos vão atacar pois seu partido defende o aborto. Tudo isso a imprensa já me mostrou.

Mas o que é importante para escolher um candidato eu ainda não vi. Não vi projetos, não vi propostas e não vi como irão atenuar os problemas da cidade onde moro. Só vi politicagem e alianças que gostaria de não ter.

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A Novela da Linha Amarela

25 de novembro de 2011 Deixe um comentário

Mais uma vez um problema na linha amarela do Metrô fez os trens pararem, como de costume, no horário de pico.

Falta de planejamento no transporte público e problemas de funcionamento lotam as estações

Com menos de seis meses de efetivo funcionamento a linha marela tem estado nos jornais não para mostrar como a chegada do metrô melhorou a vida dos moradores da região, porém mostrando mais a falta de preparo do consórcio que administra a linha.

Nem um ano de testes foi suficiente para corrigir os erros que porventura existiriam. Aliás, anunciam que os trens possuem tecnologia de ponta, mas parece que o Consórcio Via Quatro não é capaz de lidar com tamanha tecnologia.

Graças a nova linha, o metrô tem colecionado muito mais problemas do que as demais linhas, muito mais antigas.

Um ponto interessante é que um dos motivos que serviu de base para a parceria público privada é que o setor privado seria mais competente e eficiente do que o Estado para administrar e prestar serviços. Assim fez-se um consórcio e, caso  o governo não intervenha, parece que teremos que aguardar longas décadas até que o contrato chegue ao seu fim e a tão eficiente iniciativa privada deixe a administração da linha amarela, assim os problemas começarão a ser efetivamente resolvidos.

Como se não bastassem os atrasos na obra, os reiterados problemas nas estações e nos trens e o mal planejamento das estações, que dificulta o transito de pessoas nos horários de pico, o Estado – e indiretamente a população por meio de impostos – terá que arcar com o que o consórcio deixou de lucrar por conta dos atrasos nas obras e na entrega das estações.

Calma, deixa ver seu entendi. O consórcio entregou a linha amarela com atraso, as estações e trens apresentam problemas dia sim, dia não e ainda teremos que pagar o que eles deixaram de lucrar por conta dos atrasos da obra que eles estavam tocando?

É isso mesmo! Está bem entendido. Como sempre fazemos no Brasil, nós socializamos os prejuízos, os riscos e privatizamos os lucros.

Espero que lembremos da eficiência e boa vontade e a diferença de tratamento que os governadores de São Paulo tiveram com a população e com as grandes empresas na hora de votarem nas próximas eleições. Que os eleitores levem em consideração tanto os atrasos nas obras, os defeitos no funcionamento do metrô e a indenização paga à empresa que cuida da linha, quanto a praticidade e rapidez que a linha amarela proporciona – quando realmente funciona – para seus usuários.

Metrô de São Paulo é insuficiente

8 de abril de 2011 Deixe um comentário

De UOL Notícias, em 8 de abril de 2011:

“O metrô é considerado o mais eficiente meio de transporte urbano por não dividir espaço na superfície com outros veículos. Em São Paulo, metrópole que em março ultrapassou 7 milhões de veículos, o metrô chegou tarde, foi entregue somente em 1974, quando entrou em operação o trecho de sete quilômetros, com sete estações, entre o Jabaquara e a Vila Mariana, e desde então cresceu. Pouco.

Atualmente com 61 estações distribuídas em cinco linhas que somam 70,9 quilômetros de extensão, o Metrô de São Paulo não se desenvolveu o suficiente para atender às necessidades da metrópole. Preto no branco, o metrô da capital expandiu-se, em média, apenas 1,6 quilômetro por ano nos últimos 36 anos.

Durante seminário sobre mobilidade urbana realizado em março último na capital, o arquiteto Marcos Kiyoto, especialista em transportes de alta capacidade, afirmou que o ritmo lento de crescimento do metrô paulistano deixa muito a desejar em relação ao sistema de outras metrópoles, como é o caso da Cidade do México, com 200 quilômetros de rede.

Outro problema apontado durante o seminário foi a pouca integração das linhas entre si. De acordo com Kiyoto, o mais importante não é esticar as linhas, mas, sim, criar mais intersecções entre as já existentes para que seja criada, de fato, uma malha metroviária.

Já o arquiteto Fábio Pontes informou que o número de habitantes por quilômetro de linha de metrô em São Paulo está entre os mais altos do mundo : 315. Londres, no Reino Unido, tem apenas 19 habitantes para cada quilômetro do Tube, o metrô de lá, o que significa trens mais presentes e menos cheios.

Até mesmo cidades menores do que São Paulo possuem sistemas bem melhores. É o caso de Barcelona, na Espanha, que oferece aos seus cerca de dois milhões de habitantes 148 estações de metrô – número duas vezes e meia maior de estações que o da capital paulista para um contingente populacional cinco vezes menor.

As 61 estações do metrô de São Paulo recebem todos os dias cerca de 3,3 milhões de passageiros. As 126 estações do metrô de Barcelona recebem diariamente cerca de 1 milhão de usuários. Talvez esteja aí a explicação para a falta de ânimo do motorista paulistano em deixar o carro na garagem e procurar a estação de metrô mais próxima.

Parceria com o setor privado

No começo desta semana, o diretor de operação do metrô, Mário Fioratti, admitiu em entrevista para a BandNews FM que o metrô está no limite técnico de quantidade de trens. Segundo ele, não há como colocar mais trens em circulação porque o sistema de sinalização que controla a movimentação do trem não pode ser redimensionado.

O Governo de São Paulo, responsável pela gestão do metrô paulistano, reconhece as deficiências do sistema. Na inauguração da estação Butantã, no último dia 28 de março, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) reconheceu que a rede deveria ter pelo menos o dobro do atual tamanho.

Umas das soluções sinalizadas pelo governador são as parcerias público-privadas (PPPs) – como já acontece com a Linha Amarela da rede, administrada pela ViaQuatro, empresa do grupo CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias). Segundo Alckmin, as propostas de parceria devem começar a chegar já nos próximos dias”.

O que mais me intriga é que precisaram de especialistas e ainda demoraram tanto tempo para constatar o que a população já sabe há muito tempo: O metrô de São Paulo é lotado, não atende muitos lugares que deveria atender e que cresce a ritmo de tartaruga.

Advogado do São Paulo mostra tratamento desigual na novela Fielzão x Morumbi

9 de novembro de 2010 4 comentários

Como vivemos no Brasil, o futebol é um item importante da nossa cultura. Portanto como não discutir assuntos do universo futebolístico? Ainda mais que daqui quatro anos sediaremos a Copa do Mundo. Pensando nisso resolvi postar um artigo do Blog do Birner, falando da diferença de tratamento do Fielzão e do Morumbi.

“De Vitor Birner

“O projeto de estádio do Corinthians ainda não tem previsão de dinheiro para construir seus 65 mil lugares, nem a chancela da Fifa. Mas a arena em Itaquera já conseguiu a indicação do COL (Comitê Organizador Local) para ser a abertura da Copa-2014.

A decisão tem o aval do governo e da Prefeitura de São Paulo, que oficializaram o local para o Mundial.
É verdade que o COL fez uma ressalva: a arena corintiana só será confirmada na abertura se obtiver todo o dinheiro sem ajuda da Fifa. E seu projeto ainda terá de passar pelo crivo da entidade.

Mas o comitê não indicou o Morumbi à abertura quando este passava por escrutínio da Fifa e tentava levantar dinheiro para reformas”

O trecho entre aspas foi colado da reportagem de hoje da Folha de São Paulo.

Está clara a boa vontade das autoridades com o projeto de Itaquera.

O presidente Andrés Sanchez, com razão, afirma que o clube não vai se endividar para sediar jogos da Copa do Mundo.

O Governo Paulista disse que não vai botar dinheiro público.

Fifa e CBF não disseram que vão bancar a obra de ampliação do Fielzão.

A Odebrecht tampouco.

Mesmo assim, não há restrição alguma. Apenas pendências.

Ricardo teixeira explicou na entrevista coletiva de ontem.

– Agora vamos seguir protocolarmente o que vai acontecer com os outros estádios. Receberemos nos próximos dias o projeto e iremos tratar com os arquitetos eventuais modificações. Depois de aprovado, virão as garantias financeiras, o que acontecerá com todas as arenas, falou o presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo.

A decisão, oficialmente tomada na reunião de ontem do Comitê Paulista, desprezou a falta de garantias financeiras.

Achei estranha a aprovação.

Acompanhei, dentro do possível, passo a passo o “não” ao Morumbi.

Não confio na minha memória. Eu achava que o São Paulo fora obrigado a apresentar garantias finaceiras antes do projeto ser enviado ao Comitê Organizador.

Liguei para José Francisco Manssur, advogado contratado pelo São Paulo para cuidar das questões legais da
candidatura, e ele me confirmou que foram cobradas garantias financeiras pelo Comitê Paulista.

Logo depois, para confirmar, entrei em contato com a assessoria de imprensa de Francisco Vidal Luna, secretário de Planejamento de São Paulo e coordenador do comitê paulista para a competição. Depois da saída de Caio Carvalho, ele, segundo José Francisco Manssur, avaliou as garantias do Morumbi.

Eu queria falar com o próprio secretário e não consegui.

A Camila, assessora de imprensa dele, ficou de fazer as minhas perguntas.

Dexei duas: a candidatura do Morumbi teve que apresentar garantias financeitas antes do Comitê Paulista enviar o projeto ao COL? Caso sim, qual a razão do tratamento desigual?

Gentil, a Camila me retornou a ligação após 57 minutos com a palavra oficial:

– No caso do Morumbi foi aprovado primeiro o projeto de engenharia e enviado à CBF/FIFA (COL- Comitê Organizador Local) que cobrou as garantias financeiras, falou.

Perguntei de novo mais duas vezes: – Então não foram exigidas garantias financeiras antes do envio do projeto ao COL?

Ela reafirmou a negativa do secretádio

Agradeci e liguei outra vez para José Francisco Manssur. Queria declaração oficial dele, pois tinha outra bem diferente do secretário e não tenho como saber quem diz a verdade.

Ele manteve o discurso, deu detalhes e mandou dois ofícios ( o do São Paulo para o Comitê Paulista, e outro do Comitê Paulista para o COL), um deles assinado pelo secretário José Francisco Luna.

– O COL determinou que todas as cidades deveriam apresentar as garantias das obras dos estádios até o dia 14 de junho de 2010. No dia 8 de junho, o SPFC fez uma reunião com o Comitê Paulista no Palácio dos Bandeirantes. Nessa reunião, SPFC e Comitê Paulista concordaram que não seria minimamente responsável para o SPFC se comprometer com o financiamento do projeto que o COL impôs ao SPFC no valor de R$ 630 milhões. Nessa mesma reunião o SPFC apresentou para o Comitê Paulista um novo projeto para 64 mil pessoas, orçado em R$ 250 milhões. O Comitê Paulista concordou em enviar esse novo projeto para o COL, porém, o Presidente do Comitê Paulista, Secretário Francisco Luna, determinou que o Comitê Paulista somente iria enviar o novo projeto ao COL, caso o SPFC apresentasse as garantias para esse novo projeto, o que deveria ser feito também até o dia 14 de junho, contou Manssur.

Curiosidades

No documento abaixo constam os nomes das empresas (Visa, Banco Rendimento, Camargo Correa e Philips) que garantiriam a obra de R$250 milhões.

Este projeto, vale lembrar, foi rejeitado pelo COL que pretendia ver o de R$630 milhões implementado”.

Como eu já disse anteriormente nesse blog, a FIFA é uma entidade que não preza pela defesa da ética e a CBF está mais interessada em usar o poder para privilegiar os amigos do que para contribuir efetivamente para a melhora do futebol brasileiro.

Com Ricardo Teixeira à frente do Comitê Organizador é bem possível que aconteça na Copa do Mundo do Brasil o mesmo que aconteceu nos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro. Desperdício de dinheiro público, escândalos e atrasos nas obras (só que no caso da Copa do Mundo tudo isso ser’a para ajudar amigos de Ricardo Teixeira).

É inegável que a escolha natural para sediar a Copa do Mundo em São Paulo seria o Morumbi, na região há hotéis e o estádio já está construído, o problema é o transporte público, mas a previsão para o metrô chegar à região é 2012, portanto, em tese, esse problema já não existiria.

Caso o Morumbi não fosse escolhido, o mais sensato seria o Palestra, a região é alcançada pelo transporte público, há hotéis na região e seriam poucas as melhorias que o poder público deveria fazer.

Já o caso do Fielzão é curioso, não há estádio, não há hotéis e apesar do metrô chegar à região ele é intrafegável nos horários de pico. A solução é construir mais uma linha de metrô para evitar a superlotação da existente, construir hotéis na região – que virarão elefantes brancos após a Copa – e construir um estádio sem garantia financeira, já que para ampliar a capacidade do projeto original serão necessários mais investimentos, uma vez que a FIFA, a Prefeitura, o Governo do Estado e a União Federal e o Corinthians já disseram que não vão colocar esse dinheiro no estádio.

Outra curiosidade é que André Sanches, presidente do Corinthians, disse na semana que foi anunciado o Fielzão na Copa que seu objetivo era tirar a Copa do Morumbi. Dias depois o projeto foi aprovado pela FIFA sem que o projeto fosse avaliado pela entidade (Sanches também disse isso). Pouco tempo depois anunciou-se que possivelmente não possa ser construído o estádio no local, pois passa tubulação no local, informação que não foi confirmada nem negada.

Se continuar desse jeito Sanches conseguirá tirar a Copa do Morumbi e da cidade de São Paulo. Claro que para isso precisou da ajuda da FIFA e de Ricardo Teixeira, imperador da CBF.

Parem de construir!

3 de novembro de 2010 2 comentários

Apesar de não ter comentado nada após o segundo turno das eleições e saber que nossos queridos milhares de leitores estarem esperando ansiosamente algumas palavras falando da vitória da Dilma – ou derrota do Serra -, achei que seria mais conveniente falar de outro assunto que sempre me incomoda quando vou tenho que sair da casa dos meus pais de manhã, o trânsito paulista.

Meus pais moram no Morumbi, bairro nobre de São Paulo. Como de nobre não tenho nada, acho que esse é um dos piores bairros para se morar em São Paulo. Para morar aqui é preciso ter carro, pois para tomar uma cerveja no buteco mais próximo se gastaria pelo menos quinze minutos para chegar-se no bar e vinte minutos para voltar, podendo o tempo variar de acordo com as bebidas consumidas. Ou seja tudo, é longe.

Também pesa o fato de que poucas pessoas que moram na região trabalham na região. Assim, pela manhã, quando todos dirigem-se ao trabalho, há praticamente um êxodo na região, que é abandonada para ver-se novamente habitada no fim da tarde.

Qual o problema disso? Não seria nenhum problema caso houvesse uma malha de transporte público e alternativas para o escoamento do trânsito. Ocorre que as opções de transporte público na região são escassas e as avenidas estão saturadas de tal forma que até as ruas dos bairros da região encontram-se congestionadas, com mais lentidão que a marginal ou a radial leste (não é brincadeira, para fazer um trajeto de cerca de três quilômetros, pelo caminho alternativo, leva-se de quarenta minutos a uma hora).

De ônibus a situação piora um pouco, pois como há poucas linhas e poucos ônibus e lotações nessas linhas, muitas vezes é preciso aguardar mais de três lotações ou ônibus passarem até que seja possível entrar e se apertar a caminho do trabalho.

Essa situação é enfrentada não só no Morumbi, mas em toda cidade. E a situação tende a agravar-se ainda mais. Enquanto transformam São Paulo num canteiro de obras, levantando-se prédios e condomínios, alguns com mais de cinco vagas na garagem, esquece-se a situação em que o trânsito está em colapso.

A maior parte dos paulistanos mora longe do trabalho, e devido ao fato do transporte público ser precário, pouco e lotado, uma das primeiras aquisições do trabalhador é o carro, que irá para as ruas ajudar a deixar o trânsito mais atrapalhado do que já está.

Soma-se a isso que algumas regiões da cidade contam com poucas vias para escoar o trânsito, assim são inúmeros os gargalos para entrar ou sair dos bairros. E com o crescimento desordenado de algumas regiões e verticalização das moradias o problema é ainda mais grave.

Esse problema que pode ser visto claramente no Morumbi também é notado em outros bairros da cidade, como Interlagos e Vila Sônia e, se nada for feito, logo chegará a hora que regiões como o Tatuapé e Mooca enfrentarão o mesmo problema.

É necessário que se faça o mais rápido possível um projeto urbano para a cidade de São Paulo, levando-se em conta o transporte público, a localização das empresas e das residências, assim será possível reduzir o problema do trânsito.

Enquanto isso o melhor que se faz é reduzir o ritmo da construção de prédios na cidade. A estrutura de algumas regiões faz com que seja uma loucura construir tantos prédios em regiões sem opções de transporte ou de entrada e saída para os bairros.

Já passou da hora da cidade de São Paulo ter um planejamento urbano que vise não apenas definir as regiões residenciais e comerciais, mas também encurtar as distâncias percorridas pelos moradores e reduzir o congestionamento. Deve-se buscar que o cidadão trabalhe próximo à sua residência, de modo a ser possível e viável ao cidadão o uso do transporte público ou alternativo, como a bicicleta.

Um projeto viável, por exemplo, seria a concessão de crédito e benefícios aos funcionários públicos que optassem por comprar imóveis em regiões próximas ao trabalho. Assim seria possível revitalizar algumas regiões, como o centro velho, e reduzir a trânsito, já que essas pessoas poderiam abdicar de usar o carro, indo a pé, de bicicleta, metrô ou ônibus para o trabalho.

Em suma, um dos problemas que o paulistano enfrenta há anos e que sempre é tema de campanhas eleitorais é o trânsito. Mas não dá para acreditar que o problema será resolvido apenas com a construção de metrô. O metrô e o aumento das frotas de ônibus e lotações é necessário e urgente, mas também é necessário que haja um planejamento urbano e um plano de crescimento para São Paulo. E até que seja aprovado e comece a ser implantado esse plano de crescimento é preciso que diminua o ritmo de construção de prédios ou se privilegie a construção de prédios em áreas onde o trânsito ainda não está em colapso (se é que ainda existe um oásis nessa cidade).

Olha quem diz que vai construir metrô

13 de outubro de 2010 4 comentários

Das muitas propostas de campanha do Serra nessas eleições a que mais me surpreendeu foi que irá construir metrô nas principais cidades do país. Vai aumentar o metrô de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Brasília, de Salvador e até irá construir metrô em Feira de Santana.

Paulistanos dentro de ônibus viajando confortavelmente

Claro que é uma ótima proposta, disso não há dúvida. O que me surpreende é a incoerência. Durante dezesseis anos de governo PSDB em São Paulo o transporte público nunca esteve entre as prioridades, muito pelo contrário, fez-se de tudo para que o transporte público fosse o pior possível.

O amiguinho do Serra, Kassab, proibiu a circulação de ônibus fretados no centro expandido, os ônibus na capital paulista estão cada vez mais lotados, o trânsito continua caótico e a tendência é piorar. Mas isso quem fez foi o Prefeito de São Paulo, vocês dirão. Mas não podemos nos esquecer que antes do Kassab, Serra era Prefeito, que para manter seu projeto pessoal traiu o PSDB apoiando o candidato de outro partido para o pleito.

Mas voltemos ao metrô. O problema do transporte público e do trânsito em São Paulo poderia ser amenizado ou até resolvido se os governadores anteriores tivessem se empenhado mais na construção do metrô em São Paulo, porém isso não ocorreu. Depois de um governo e meio do Covas, um governo e meio do Alckmin e um governo do Serra – todos do PSDB -, somando dezesseis anos de governo tucano, quase não se construiu metrô na cidade de São Paulo.

Vejamos o que foi feito. Covas terminou as obras que da linha azul, que liga Santana a Tucuruvi. Depois disso só foram inauguradas novas estações com Alckmin, a linha lilas, que liga nada a lugar nenhum. Essa linha não têm ligação com as demais linhas do metrô e foi feita com intuito puramente eleitoreiro, a prova disso é a baixa circulação de pessoas na referida linha, que fecha aos domingos por falta de passageiros.

Depois de muito tempo finalmente Serra inaugurou algumas estações do metrô, algumas da linha verde, ligando a estação Ana Rosa à Vila Prudente e a linha amarela, porém com apenas duas estações, ligando o Largo da Batata/Faria Lima à Consolação/Paulista. Mas existe um porém, as novas linhas e estações funcionam em horário limitado, sendo que no horário de pico elas estão fechadas, afinal quem precisa de transporte público para ir de casa para o trabalho e do trabalho para casa?

Metrô de São Paulo. É facinho de entrar no vagão na hora do rush

Mas não é só isso, quem disse que é apenas a capital que precisa de metrô? Ora, São Paulo têm algumas das maiores cidades do Brasil, porém não há um quilômetro sequer de metrô construído fora da capital do Estado. Campinas é uma cidade importantíssima e não conta com linhas de metrô, Guarulhos e a região do ABC, que deveriam ser ligados à capital pelo metrô também carecem desse transporte, na baixada santista não há qualquer linha ligando os bairros e principais municípios da região, como Santos, São Vicente e Praia Grande.

Como podemos ver o Estado de São Paulo carece de melhorias no transporte público, principalmente de metrô, porém o governo tucano, nos dezesseis anos que esteve à frente do Estado não preocupou-se em dar à população transporte público de qualidade.

Devido ao descaso dos tucanos com o transporte público o paulistano gasta em média duas horas e quarenta minutos por dia no trânsito, o que dará ao final de um ano pouco mais de trinta e nove dias. Ou seja, o paulistano perde por ano mais trinta e nove dias atrás de um volante ou apertado dentro de um ônibus.

Se melhorar a vida do povo fosse prioridade do PSDB o transporte público seria uma das prioridades na administração tucana, porém não é bem isso que ocorre. O correto é forçar a população a comprar carros, pois assim não precisarão se amontoar dentro de um ônibus ou aguardar dois ou três trens do metrô passarem antes de conseguir entrar (se houver metro perto da casa ou do trabalho do cidadão).

O que ocorre é que José Serra diz que irá construir metrô no Brasil inteiro apenas para ganhar votos de quem não conhece ou de quem prefere não ver o que é a administração tucana. Se realmente o PSDB quisesse contruir metrô pelo Brasil afora teria começado o projeto pelo Estado de São Paulo, que conta com uma rede metroviária extremamente pequena em sua capital e inexistente nas demais cidades do Estado.

Não posso acreditar que quem teve oportunidade de fazer em São Paulo e não fez fará no resto do Brasil.

Prefeitura de São Paulo anuncia que não irá desapropriar prédios ocupados

Texto de Sandro Freitas, “Corredor X”.

 

A Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) de São Paulo já anunciou em comunicado que não pretende desapropriar os quatro prédios do centro da cidade que foram ocupados por mais de duas mil pessoas, famílias que integram o movimento dos sem-teto.

Alegando que não tem “poder para arbitrar sobre propriedade particular”, a secretaria informou que dos quatro prédios ocupados, apenas um dele integra a lista dos 53 prédios declarados de interesse social pela Prefeitura, o que significa dizer que os outros três mesmo estando abandonados não serão utilizados para beneficiar as famílias sem-teto.

De acordo com a nota publicada pela Prefeitura, dos imóveis ocupados “um integra a lista dos 53 prédios decretados de Interesse Social (em 4/02/2010) pela Prefeitura, que serão reformados para moradia; um pertence ao INSS, outro é o Prestes Maia e o último é um edifício cujo proprietário já encaminhou para aprovação um projeto de habitação de interesse social. Todos são de propriedade particular” (O Globo, 4/10/2010). O cinismo do argumento não poderia, obviamente, ser maior. Os governos têm todo o poder de desapropriar qualquer patrimônio se ficar comprovado que o mesmo será utilizado para o bem social, como é o caso em questão. Isso sem falar na possibilidade que a prefeitura tem de negociar os edifícios e comprá-los, ou mesmo ceder uma concessão para o uso.

O fato de não haver nenhuma medida nesse sentido significa apenas e tão somente que o governo paulista não têm nenhum interesse em resolver os problemas dessas centenas de famílias. O direito que o município, Estado e União têm para desapropria imóveis está previsto na Constituição por meio do decreto-lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941, na qual determina que “mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios”.

Como se vê não existe nenhuma lei que proíba o município a se apropriar de um imóvel para utilizá-lo em prol da população, pelo contrário, existe uma lei que concede esse direito. Os governos, por sua vez, não só sabem desta lei como a utiliza com grande freqüência quando se trata de defender seus interesses.

Um exemplo que relata bem essa política é o projeto do prefeito de São Paulo que pretende construir um túnel de 2,7 km da Avenida Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes, ao custo de R$ 38 milhões. Para realizar a obra já está previsto a remoção de centenas de pessoas, que terão suas casas desapropriadas.

Pois é, acho que túneis e rodovias são de maior utilidade pública que abrigar duas mil pessoas.

Fonte: Causa Operária Online

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